Charbel Atalla Antonio
Uma sociedade firme e forte é uma sociedade que pode ser facilmente desfeita!
São dois os aspectos principais para uma sociedade dar certo:
1. Relacionamento
É a base de tudo – e, geralmente, também o motivo do fim de tudo.
De maneira geral não temos grandes problemas nos nossos relacionamentos sociais. Então porque em sociedades empresariais (e outras) isso é tão comum?
O problema, a dificuldade, não é o relacionamento em si, e sim, as circunstâncias, as condições em que ele ocorre.
Analise qualquer conflito de relacionamento e você verá que, na verdade, o problema é principalmente o potencial das conseqüências das soluções possíveis. Este sim, é o ponto principal – as possíveis conseqüências das alternativas do entendimento. Explícitas ou veladas, comumente elas são prejudiciais ou até inaceitáveis, para uma das partes, ou mesmo para as duas.
Nesta situação, a razão, o bom senso, o equilíbrio, a boa vontade, tudo parece se tornar impotente.
É a situação também conhecida por “rabo preso”.
Onde está a solução então?
A solução está na origem. Na origem da sociedade. Na estrutura da sociedade.
Uma sociedade firme e forte é uma sociedade que pode ser facilmente desfeita. Pelos sócios – qualquer um deles.
Paradoxo? Não! – muito pelo contrário. É o melhor fundamento para uma sociedade dar certo.
Imagine-se decidindo um investimento de alto risco na empresa, com um sócio para quem o sucesso do negócio é “questão de vida ou morte”... Imagine!
Ou, pense porque a felicidade parece ser tão mais comum no namoro que no casamento...
2. Dinheiro
Nas sociedades que geram lucro – dinheiro – surge um “problema”:
Como dividir o resultado, de forma justa?
O comum “meio a meio” normalmente passa a ser considerado injusto em pouquíssimo tempo.
Afinal, você trabalha muito mais que ele(a)...
Novamente a questão está na origem da sociedade. Agora não na estrutura, mas no conceito, ou melhor, em dois conceitos.
O primeiro é sobre como dividir o lucro. O segundo é sobre os honorários.
A primeira coisa é entender que existem, que devem existir, os dois. Não juntar, não confundir as coisas.
O lucro deve ser dividido na proporção do capital de cada sócio. Simplesmente isso. O cuidado deve ser para que o capital de cada um seja efetivamente real, correto, justo. Se você está entrando com 5 mil e seu sócio também com 5 mil, porém você já tem uma boa carteira de clientes e um bom conhecimento técnico, e seu sócio, além do dinheiro, apenas a boa vontade, recomendo discutir e negociar isso antes: você pode lhe vender esses “bens”, eles podem entrar na composição do capital, alterando ou não a proporção. O importante é discutir, negociar e chegar a um bom acordo antes de firmar o contrato!
Os honorários dos sócios devem ser correspondentes ao trabalho de cada um. Simplesmente isso, também. E, o cuidado aqui, é fazer isso de forma muito realista. Realista perante o mercado. Se você trabalhar como um diretor, você deve ganhar como um diretor. Se trabalhar como office-boy, deve ganhar como um office-boy. Se for meio período, é meio período. A melhor conduta é avaliar quanto se pagaria a um profissional, um empregado, para fazer a mesma coisa. Se você estiver trabalhando como office-boy e não aceitar ganhar menos que um gerente, despeça-se (como empregado) e contrate um – ao preço de mercado – isso é justo, profissional, e saudável, para a sociedade, para a empresa.
Comentários Gerais e Recomendações
• Tudo o exposto acima deve ser considerado idealmente antes da formação de uma sociedade. Porém, geralmente também é viável de se aplicar a sociedades já existentes. Aliás, muitas vezes é uma das poucas alternativas para evitar um encerramento... Com conscientização, boa vontade, e um bom Plano de Ação, os resultados podem ocorrer até muito rápido. Pois é, se lá no início do artigo, após a pergunta “Onde está a solução, então?”, você quis responder “soltar o rabo” – no bom sentido – acertou!
• A condição de uma sociedade poder ser facilmente desfeita inclui também a “saúde” da própria empresa – o que merece sempre a maior das atenções. Ela tem que ser “liquidável” a qualquer momento – senão os problemas de relacionamento dos sócios se estenderão até aos seus empregados. Qualquer desvio desta condição deve gerar providências imediatas.
• É interessante ressaltar que a composição do capital pode ser alterada futuramente. Discutir, estabelecer, ou até planejar antecipadamente como isso poderá ocorrer também é bastante saudável para a sociedade.
• O Operando Bien tem mais artigos relacionados aos assuntos abordados acima: veja também Tomada de Decisão e Matriz de Responsabilidades, entre outros.
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2 comentários:
GOSTEI DO SEU TEXTO MAS NÃO ENCONTREI SOLUÇÃO PARA O MEU PROBLEMA NELE,TENHO UM SÓCIO A 1 ANO E TEMOS DUAS LOJAS , O PROBLEMA QUE ENFRENTO É QUE A ESPOSA DELE TRABALHA COM NÓS E ATRAPALHA MUITO , TUDO QUE VOU CONVERSAR COM MEU SÓCIO ELA APAREÇE E QUER OPNAR, ELE TBM DEPENDE DELA PARA TUDO, NUNCA FECHAMOS NADA SEM ELE PEDIR A OPNIÃO DELA , EU FICO PUTO COM ISSO, QUANDO TEM ALGUM PROBLEMA NA EMPRESA , COM CERTEZA ELA DEFENDE E OLHA O LADO DELE. O QUE FAÇO ?
vc é sócio dele ou dela, coloque as coisas no seu devido lugar, tenha pulso firme e converse com seu sócio ou aguente isso pro resto da sua sociedade.
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